Brasília (DF) 14/11/2024 – Policiais periciando o corpo de Francisco Wanderley Luiz, de 59 anos, antes dele ser retirado da frente do STF. Segundo a Polícia Civil do DF, Francisco foi autor das explosões ocorridas na quarta-feira (13/11/24) na Praça dos Três Poderes (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Quem semeia desatenção, colhe preocupação

15 de novembro de 2024, 17:45

O atentado terrorista ocorrido na Praça dos Três poderes, na noite de quarta-feira, (13/11), quando Francisco Wanderlei Luiz, de 59 anos, tentou atirar bombas de fabricação caseira na direção do Supremo Tribunal Federal (STF), morrendo em seguida, vítima da explosão de uma das bombas que carregava, deixou a todos com os nervos à flor da pele. Qualquer atitude fora do lugar leva a uma onda de boatos. Está circulando nas redes uma informação, no mínimo, alarmista, de que a Granja do Torto, residência de descanso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria sofrido uma um atentado, ou uma tentativa de invasão, naquela mesma noite, de quarta-feira. A informação não procede.

Uma fonte próxima ao presidente Lula, em conversa por mensagem de WhatsApp, desmentiu o fato e explicou o que realmente aconteceu. Segundo essa fonte, volta e meia veículos conseguem ultrapassar, por engano, o primeiro portão da Granja (o que leva a crer que a área está mal sinalizada).

O presidente se encontra no Rio de Janeiro desde a tarde de ontem (14/11), para o evento do G-20. Segundo a notícia em circulação, “um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI)” teria confirmado que fez “um disparo de advertência contra uma pessoa que tentou invadir a Granja do Torto”. Ainda de acordo com o que foi noticiado, o incidente aconteceu poucas horas após a explosão de artefatos em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou na morte de Francisco Wanderlei Luiz.

 “Um veículo de um particular fez a ultrapassagem. A equipe de segurança deu ordem para o carro estacionar. Sem serem atendidos, os sentinelas de prontidão dispararam tiros para o alto, o que assustou ainda mais o motorista, que deu meia volta e arrancou com o carro, deixando o local”, foi o relato do agente do GSI.

Após o disparo, o suspeito fugiu e militares realizaram buscas na área, mas não encontraram a pessoa “envolvida”. A Granja do Torto, localizada a cerca de 15 km do centro de Brasília, permanece sob vigilância reforçada.

De acordo com as notícias, “ainda não há indícios de que a tentativa de invasão tenha conexão com o atentado ocorrido no mesmo dia na Praça dos Três Poderes. No entanto, os dois eventos aumentaram o clima de alerta em torno da segurança de instalações governamentais na capital federal”.

A notícia dá conta também de que “o GSI reiterou que os procedimentos adotados pela equipe de segurança foram adequados e garantiu que continuará investigando o caso. “Seguimos atentos e comprometidos em preservar a segurança das autoridades e das instituições públicas”, declarou o órgão em nota”. 

Como todos que trabalham nas coberturas políticas estão fartos de saber, a quinta-feira na capital é o dia nacional da boataria. O pronunciamento do GSI, nesses termos, depois de ter sido surpreendido com um atentado com vítima, nas barbas de seu gabinete, nos leva a pensar em restauração de imagem. A informação tem toda a cara de ter sido plantada, para que o GSI colhesse uma notícia positiva.

Escrito por:

Jornalista. Passou pelos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora-pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" e "Imaculada", membro do Jornalistas pela Democracia

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