
O furacão de Augusto Nunes e o cometa de Vera Magalhães
Vera Magalhães foi contratada pelo Globo e, duas semanas depois de assumir uma coluna no jornal, deu seu primeiro furo.
Um furaço. Vera está anunciando que o novo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, vem aí como candidato a presidente em 2022 passando por cima de todo mundo.
É um cometa, escreveu a jornalista, bem à moda do século 20. Em uma semana, o homem se transformou na grande opção da direita, superando João Doria, Luiz Henrique Mandetta, Sergio Moro, Rodrigo Maia e quem aparecer pela frente.
É ousada a Vera Magalhães. Lula lançou Fernando Haddad e Vera lançou Pacheco, que ninguém sabia quem era até a eleição para a presidência do Senado.
E depois dizem que o jornalismo está morto. Está vivo, tão vivo que tem jornalista lançando candidato.
E por que o sujeito é um cometa? Porque tem 44 anos, é mineiro, cresceu muito como liderança do DEM, elegeu-se com facilidade para o Senado e, dizem em Brasília, é fofo e bonitão.
Essa última virtude pode ser a mais ameaçadora para as esquerdas. Haddad perdeu para o feioso Bolsonaro em 2018.
A direita que decidiu saltar fora da extrema direita se deu conta de que agora é preciso ter um fofo com rosto de bebê e bochechudo como contraponto ao ogro.
O ex-jornal de Vera, o Estadão, escreveu em 2018 que era uma escolha muito difícil a que deveria ser feita entre Bolsonaro e Haddad, e a jornalista referendou essa desculpa depois.
Agora, a direita tenta achar seu galã. Preparem-se porque é no que eles talvez venham a investir. O apelo pode ser este: votem no novo bonitão da velha Arena.
A imprensa sempre está tentando achar nomes-surpresas. Em abril de 1987, os jornalistas Augusto Nunes e Ricardo Setti apresentaram Collor ao país com essa manchete no Jornal do Brasil:
“Furacão Collor começa a mudar a vida de Alagoas”.
Color estava assumindo como governador. Por que a manchete para um sujeito que estava havia apenas um mês no governo de um Estado sem relevância política, sem partido e sem história? Por que Collor?
Porque era preciso ter um cara forte, charmoso e impetuoso para enfrentar Lula em 1989. Ali estava o furacão, que só muito depois seria transformado em caçador de marajás pela revista Veja.
O título da Coluna de Vera Magalhães nesta segunda-feira sobre o seu candidato é este:
“O cometa Pacheco e 2022”
Furacão, cometa, ciclone. A imprensa de direita inventa apelidos que segurem a figura a ser vendida.
O que seria de nós sem o jornalismo exemplar de Augusto Nunes e de Vera Magalhães. A grande imprensa sabe fabricar candidatos e até juízes justiceiros. Preparem-se para a passagem do cometa.