
O Dia da Coragem
Num 11 de janeiro, em 1945, nascia meu irmão. Tínhamos uma diferença de quase cinco anos. Com a separação de nossos pais, ele se tornou o homem da casa. Minha irmã me contou, e eu não me lembrava, que nossos pais nos reuniram para comunicar a separação. Eu devia ter 9 ou 10 anos e, segundo Ana Cristina, abri um berreiro, chorei, chorei alto, chorei muito, fiquei toda vermelha. Ana Cristina era a frágil, quietinha. E meu irmão estendeu os braços sobre nós duas, protetor. E assim ficamos de pé, os três, ouvindo a sentença que determinaria nossas vidas. Stuart foi a voz do equilíbrio, a sensatez, a bondade. Nós o respeitávamos e amávamos muito. Era das leituras, e nós duas também. Mas ele se orientou para a consciência cidadã, política. Na universidade, cursando economia, abraçou a causa de sua geração, recuperar o país, que nos havia sido subtraído a golpes de botas, retomando a democracia, a liberdade de expressão, pensamento, leitura, escolhas. Tudo isso havia nos sido tirado pela ditadura militar. Eles nos queriam ovelhinhas mansas e obedientes, e assim nos fizeram, impondo o medo, o terror, as perseguições, as mortes. As piores mortes. A maioria se submeteu, dócil. Mas graças a Deus tivemos heróis, como Stuart, como minha mãe e tantos outros, para hoje poder lembrá-los como exemplo e referência. Para lembrar que é preciso coragem para ser um povo livre e feliz.
Que o Dia da Coragem sejam todos os dias, em nome da felicidade do povo brasileiro…
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