Ministro da Fazenda, Fernando Haddad (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Haddad, o mágico e o equilibrista

18 de maio de 2023, 12:09

A aprovação do requerimento de urgência do Arcabouço Fiscal foi comemorada como uma grande vitória de Fernando Haddad e de Arthur Lira.

Na realidade, mais uma vitória do presidente da Câmara, que provou ter o controle do plenário, do que do ministro da Fazenda, que teve méritos na elaboração do projeto. 

De qualquer maneira, esse arcabouço está longe de ser o que Lula gostaria, para alavancar o desenvolvimento econômico do país; mas foi o possível no quadro atual do nosso parlamento. Mesmo criticado por parte da bancada petista, Fernando Haddad demostrou capacidade para se equilibrar na corda bamba, entre os progressistas do seu partido e os deputados da direita conservadora. 

Como um mágico, Haddad tirou da cartola um crescimento real de 2,5% no gasto, seja lá qual for a receita. Com isso, o aumento real das despesas ficará em torno de 70% do incremento das receitas, acima da inflação. Ao mesmo tempo, conseguiu incorporar parte das concessões impostas pelo mercado financeiro e defendidas com fidelidade canina pela mídia corporativa. 

Aos poucos, o governo Lula começa a organizar o legado de terra arrasada generalizada, deixado pelo governo passado. Aqui, em especial, aponto o aspecto da economia, lançada à bancarrota institucional e social, após o nefasto período Paulo Guedes. Depois de aprovada a urgência do marco fiscal, o foco se concentra mais uma vez na política de juros do Banco Central, comandado por seu presidente, terrivelmente defensor do mercado e dos rentistas, Roberto Campos Neto. 

Na última quarta-feira (17/05), o ministro da Fazenda afirmou que com arcabouço fiscal e a reforma tributária, o Brasil entra numa trajetória de crescimento acima da média mundial. Para isto, contudo, conta com a boa vontade de Campos Neto: “Se a Fazenda se harmonizar com o Banco Central, nós vamos chegar muito mais rápido do que a gente pensa a essa trajetória de sucesso”, prevê Haddad. 

A questão que se coloca para o Ministro e para todos nós, é saber qual a ideia de sucesso para o afilhado de Paulo Guedes. Aguardamos.

Escrito por:

Jornalista com passagem pelas principais redações do país: Folha de São Paulo, JT, TV Globo, TV Manchete, TV Cultura, TV Gazeta, TV Brasil, TVE/RIO, Rede Minas, Rádio Eldorado, Rádio Tupi, Rádio Nova FM, Rádio Musical e colaborador do El País Brasil e Brasil 247

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