Bombeiros tentam controlar fogo de carro incendiado durante atos de violência em Brasília (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

As coincidências da nossa História mais parecem providências divinas

15 de dezembro de 2022, 17:45

Na data triste de 13 de dezembro, como acontece todos os anos, desde 1968, foi sofrido lembrar e impossível esquecer o turbilhão de infelicidades em que o Brasil mergulhou com a promulgação do Ato Institucional nº 5.  Que jamais se repita.

O mais infeliz aniversário de nossa História. Data dos que humilham e dos que foram humilhados, dos que proíbem e dos que foram censurados, dos que matam e dos que foram matados, dos que mandam e dos que se curvaram afrontados. Dia do lixo, dos sem mérito, dos sem orgulho, dos sem dignidade.

A Brava Gente Brasileira não é ficção, ela existiu. Foram aqueles que combateram a ditadura, com Al5, com tudo, perderam pedaços, perderam a vida e se tornaram imortais. Não fizeram por dinheiro, poder ou para cumprir ordens. São nossas referências reais de coragem e patriotismo. 

Somem-se aos mortos sabidos os milhares de desaparecidos, jamais encontrados, sem paradeiro, sem tumba, sem registros na memória. Os mártires invisíveis dissolvidos no ácido da História mal contada. Sofremos não só por aqueles que conhecemos, mas também pelos que jamais saberemos.

Porém, em meio a tantas más lembranças, o 13 de dezembro de 1968 plantou um bom presságio, com o nascimento, naquele mesmo dia, de um menino, um bebê, que na maturidade se tornou importante por seus méritos e facilmente reconhecível  por sua calva, que lhe valeu o apelido de “cabeça de ovo”, de que ele mesmo faz graça.

Cinquenta e quatro anos após aquele dia, os filhotes do AI-5 tentam hoje, em 2022, repeti-lo como farsa, o que o ministro do STF e presidente do TSE, Alexandre de Moraes, o nascido na mesma data, impossibilita, fazendo cumprir rigorosamente a Constituição Federal.

As coincidências de nossa História parecem mais ser providências divinas.

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Escrito por:

Formação acadêmica: Conservatório Nacional de Teatro 1967-1969, Rio de Janeiro
Jornalista, atriz e diretora do Instituto Zuzu Angel/Casa Zuzu Angel - Museu da Moda. Manteve colunas diárias e semanais, de conteúdos variados (sociedade, comportamento, cultura, política), nos jornais Zero Hora (Porto Alegre), O Globo, Última Hora e Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), onde também editou o Caderno H, semanal.
Programas de entrevistas nas TVs Educativa e Globo.
Programas nas rádios Carioca e Paradiso.
Colaborações e/ou colunas nas revistas Amiga, Cartaz, Vogue, Manchete, Status, entre outras publicações).
Atriz de Teatro, televisão e cinema, de 1965 a 1976
Curadoria de Exposições de Moda: Museu Nacional de Belas Artes, Museu Histórico Nacional, Itau Cultural, Paco Imperial, Casa Julieta de Serpa, Palacio do Itamaraty (Brasilia), Solar do sungai (Salvador).
Curadoria do I Salao do Leitor, Niterói

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