Foto: Felipe de Noronha/SEEDF

Escola usa artes marciais para enfrentar o bullying e promover inclusão

3 de abril de 2025, 17:20

No Núcleo Bandeirante, um projeto escolar tem usado as artes marciais para promover a disciplina e reduzir conflitos entre os estudantes. Criado em 2017 no Centro de Ensino Médio (CEM) Urso Branco, o Quem Luta Não Briga já impactou mais de 500 alunos e se consolidou como referência para outras instituições do Distrito Federal.

A iniciativa nasceu em um contexto de forte tensão social, quando brigas entre grupos da região acabavam refletindo dentro da escola. “Os desentendimentos eram frequentes e envolviam disputas por questões de gênero, status social e território”, lembra o diretor Dreithe Thiago Ribeiro.

O projeto começou de forma simples, com um pequeno espaço de tatame e aulas de jiu-jítsu. Com o passar dos anos, a estrutura cresceu e hoje abriga um centro de lutas completo, oferecendo modalidades como boxe, caratê, muay thai, judô, treino funcional e pilates.

Transformação dentro e fora da escola

Além de proporcionar um ambiente mais pacífico, a prática esportiva tem gerado mudanças significativas na vida dos participantes. De acordo com o supervisor pedagógico Eronildo Santiago, responsável pelo centro de lutas, muitos estudantes encontraram no projeto uma oportunidade de superação. “Vários deles se destacaram em competições, saíram de cenários de violência doméstica e melhoraram o rendimento escolar”, destaca.

O Quem Luta Não Briga também se tornou um espaço de inclusão. Alunos sem condições financeiras recebem doações de equipamentos, garantindo que ninguém fique de fora. “Aqui, a falta de dinheiro não é um obstáculo para treinar”, afirma Santiago.

Entre os voluntários do projeto está Olivério Fernandes Borges, mestre de caratê e ex-aluno da instituição. Aos 74 anos, ele segue presente na escola onde estudou na década de 1960, reforçando o compromisso da iniciativa com a formação de jovens.

O estudante Davi Rocha de Carvalho, de 13 anos, é um exemplo do impacto positivo do programa. “Aprendi a ter mais autocontrole e a confiar em mim. O projeto me ensinou que força não significa brigar, mas saber evitar o confronto”, conta.

Novos desafios no ambiente escolar

Embora tenha reduzido os conflitos presenciais, a escola enfrenta um novo desafio: o cyberbullying. Segundo o diretor Dreithe, as redes sociais se tornaram palco de desentendimentos que acabam repercutindo no ambiente escolar. Para ele, a atenção dos pais ao comportamento dos filhos na internet é fundamental para evitar que essas situações se agravem.

O sucesso do Quem Luta Não Briga tem inspirado outras escolas da rede pública a adotarem iniciativas semelhantes. Universidades também já demonstraram interesse no programa, estudando-o como um modelo eficiente de intervenção socioeducativa.

Mesmo após quase uma década de existência, o projeto segue em atividade, oferecendo aulas o ano inteiro – inclusive durante as férias – e consolidando-se como um importante espaço de transformação social para a comunidade.

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